segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Liberata Maria Henriques

Ou, mais concretamente a professora de Francês cujo nome que nos ficou na memória era somente Liberata.

Escreveu um ensaio, "A gíria académica" de 9 páginas que foi publicado em 1935, na Revista da Faculdade de Letras, ano 1935, tomo II, nº2

Em 1933 a Faculdade de Letras de Lisboa promove o afastamento do Professor Rodrigues Lapa após a sua conferência "A política do idioma e as Universidades" feita a 15 de Fevereiro de 1933. Esta acto da Universidade provoca um movimento de solidariedade entre os alunos e nos dias 2, 3 e 4 de Março de 1933 fazem parede às aulas e organizam uma visita conjunta a casa do Professor. Esta comportamento equivaleu a uma suspensão por 15 dias à nossa professora Liberata.

Com os dados que se recolhem da net ficamos com a ideia que deve ter nascido entre 1910 e 1915. Ou seja, quando foi minha professora tinha entre 62 e 68 anos. Atrevo-me a dizer que tinha ela e o seu casaco de astrakan, peça que sempre utilizava no Inverno.

Era dona de uma postura hirta e frontal, com um ligeiro sibilar, que não seria alheio ao facto de leccionar a língua francesa. Queixava-se com frequência do giz e de que o mesmo lhe incomodava as mãos.
Não menos famosos também os seus lenços, muito femininos por sinal, que tinham uma renda que era visível quando deles fazia uso.

6 comentários:

Anónimo disse...

Esta era a professora de Português.
Um dia virou-se para mim e disse-me assim - O menino não vai ser ninguém na vida! - o que vale é que ela já havia dito aquilo à minha frente a mais uma outra meia duzia no minimo. Mas aquilo ficou-me lá no fundo e feriu-me durante muitos e muitos anos, até que chegou um e deixou de ferir. Foi como que uma pomba da paz saísse de dentro de mim. No fundo, no fundo bem cá de dentro tinha chegado a minha vitória. A de que afinal o menino tinha chegado ao ponto de ser alguém na vida. Agora esse menino gostava de beber um copo com alguns dos que também estavam destinados por ela a não serem ninguém na vida mas que afinal hoje também o devem ser...PA

MagdaGPCruz disse...

Prognósticos... só no final do jogo :)) Essa senhora, assim como todos os professores, deviam fazer bons prognósticos para todos os seu alunos, incentivá-los a bons futuros e não deitá-los abaixo!! O seu testemunho é excelente e deveria ser ouvido por todos os professores para perceberem o impacto que as parvoices que dizem, têm nos alunos!
Já faz parte da Associação de Antigos Alunos do Filipa de Lencastre? Junte-se a nós e venha encontrar mais desses ex-alunos :)
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Anónimo disse...

Já lá estou Magda, na associação e sou daquela leva de rapazes que apareceram pela primeira vez naquele Liceu como que por acaso ou por encanto numas turmas onde seriamos espécies raras 3 que como se costuma dizer '' Foi a conta que Deus fêz...'' é que não havia mais.


Quanto aos professores:O que vale é que também apareceram muitos que nas nossas vidas nos ajudaram e esses fazem parte das pessoas que realmente constroiram a beleza do Mundo. PA

Anónimo disse...

"Constroiram"? Mesma bera, essa prof de português.

Anónimo disse...

Nunca me esquecerei da Liberata e das suas aulas, agora quanto ao francês que me tentou ensinar não poderei dizer o mesmo! Se não estou enganada a conversação era quase nula, só me lembro de gramática e mais gramática e ...só gramática!!!!

Sofia A.

Anónimo disse...

A Maria Alice Roubaud e a Judite Aranha também foram minhas professoras de Francês. Da primeira guardo ainda as melhores recordaçõe