sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Filipados(as) Por Todo o Lado


Maria Alice Ribeiro (1930-2000)

Coerência ideológica e um profundo instinto de lutadora indomável é o que ocorre dizer sobre Maria Alice Ribeiro, jornalista e interventora social ao longo dos seus setenta anos de vida, agora que uma doença, curta mas imperdoável, a arrebatou do convívio dos seus e da comunidade que sempre procurou servir.
Controversa e de escrita sibilina, apaixonada defensora de ideias e maneiras de estar na vida, deixa uma marca indelével na vida da comunidade Portuguesa do Canadá.
Num retrato mais detalhado, era senhora de um grande coração, defendendo muitas vezes causas perdidas mas sempre com uma generosidade e um apego denodado.
Passou pelo Liceu D. Filipa de Lencastre, Escola Lusitânia de Comércio e Escola de Artes Decorativas (Arte Aplicada) de António Arroio. Todas em Lisboa. Ainda na capital portuguesa, estudou na Escola Nacional das Belas Artes até ao fim do último ano lectivo.
Tirou o Curso Geral de Enfermagem na Escola das Franciscanas Missionárias de Maria, durante o qual organizou a Associação das Enfermeiras Católicas. Ao terminar o curso, partiu para St. Alban's (arredores de Londres, Inglaterra), onde se especializou. Tinha o Curso de Jornalismo pelo Instituto Técnico Profissional do Rio de Janeiro.
A actividade radiofónica mereceu também a sua atenção, tendo começado na Rádio Universitária, passando pela Rádio Graça e Rádio Renascença, e na Emissora Nacional organizou, produziu e apresentou o programa "Ouvindo as Estrelas" durante largo tempo. Escreveu para os jornais de Lisboa "Voz" e "Novidades", e com o Dr. Manuel de Athaíde fundou e produziu a revista "Portugal" (história e cultura), que nos anos 50 interessou um vasto sector da capital portuguesa.
No desporto, distinguiu-se em "ralis" e "gincanas" e em pilotagem de aviões ligeiros, além da prática de ginástica aplicada e ténis.
Nas suas últimas actividades em Portugal, salientou-se como secretária de economato e abastecimentos na Cadeia Central de Mulheres, em Tires, mormente no sector social e aquisição de material moderno para o Departamento de Saúde.
Em 1958, rumou para o continente norte-americano com uma Bolsa de Estudos. Altura em que inicia uma série de "Cartas da América", publicadas no jornal "Novidades" de Lisboa.
Finda que foi a Bolsa de Estudos, decide ficar pelas Américas, fixando-se em Washington a trabalhar para o Adido Naval Brasileiro e, depois, junto da Missão Brasileira nas Nações Unidas. É a partir de Nova Iorque que inicia a colaboração no jornal "A Luta", de Monsenhor José Cacela. Em 1962 contrai matrimónio em naquela cidade e, três meses depois, chega a Toronto. Ainda nesse ano colabora voluntariamente nos serviços sociais de St. Christopher's House, toma a iniciativa de organizar o Rancho Folclórico "Nazaré" e com outros elementos da comunidade dá início à fundação da "Luso-Canadian Association" _ uma organização de carácter social.
Particularmente nos anos 1964/1965, deslocou-se várias vezes a Ottawa, quando era embaixador de Portugal o historiador Eduardo Brazão, com o qual trabalhou no projecto da estátua de Gaspar Corte Real, inaugurada na Praça da Confederação, em frente do Parlamento Provincial na cidade de St. John's, Terra Nova (Newfoundland), a 8 de Setembro de 1965.
As galerias Almada Negreiros (Consulado) e Corte Real (First) têm muito da sua iniciativa, dedicação e trabalho, como também o Centro da Terceira Idade (First Portuguese). Em 1978, colaborou na organização das comemorações do 25.º aniversário da chegada dos primeiros imigrantes portugueses ao Canadá.
Visitou a Terra Santa, Atenas e Roma a convite de El-Al Airlines e o Brasil a convite da Varig Airlines. Esteve durante duas semanas nas ilhas Bermudas como hóspede do Governador daquela jóia da coroa britânica e na África do Sul a convite do Governo Sul-Africano, feito pessoalmente pelo seu embaixador no Canadá, que se deslocou a Toronto com essa finalidade.
Pelo Presidente da República Portuguesa, antes de 1974, foi-lhe atribuída a Comenda de Mérito, que agradeceu e não aceitou.
O projecto inicial do Conselho das Comunidades deve-se à sua visão e iniciativa, depois de exposição e conversações havidas em Lisboa. Daí a sua participação, colaboração, organização e actividades em reuniões feitas quer em Portugal, quer nos Estados Unidos e Canadá.
Em 1963, dando concretização a um projecto "antigo", aparece o Jornal Correio Português, a que deu o melhor de si própria ao longo de 37 anos feitos em Julho passado.
Maria Alice Pereira de Gouveia Ribeiro nasceu em Lisboa no dia 8 de Setembro de 1930.
Faleceu em Toronto no dia 16 de Outubro de 2000, no Hospital Mount Sinai, Toronto.

3 comentários:

LAS disse...

Bravo!
Vejo que a rubrica "De Quem por cá Passou" está a ganhar adeptos!
Uma correcção, apenas: o nome correcto é Pereira de Gouvêa e não Gouveia, como erradamente aparece na fonte deste post (Saturnia, Letras e Estudos Luso Canadianos, de Manuel Carvalho). Era prima da minha mãe.
Beijinhos,
LAS

LAS disse...

Bravo!
Vejo que a rubrica "De Quem por cá Passou" está a ganhar adeptos!
Uma correcção, apenas: o nome correcto é Pereira de Gouvêa e não Gouveia, como erradamente aparece na fonte deste post (Saturnia, Letras e Estudos Luso Canadianos, de Manuel Carvalho). Era prima da minha mãe.
Beijinhos,
LAS

Isabel disse...

Obrigada e...parabéns pela prima!